José Walter Lima

Cineasta, pintor, e, principalmente, agente cultural, José Walter Pinto Lima, mais conhecido como Waltinho, já está a fazer quase meio século de vida cinematográfica na província da Bahia. Conheço-o desde meados dos anos 60, quando participava ativamente de grupos ligados a cinema e era frequentador das sessões do saudoso Clube de Cinema da Bahia.

Assistente de direção do consagrado Meteorango Kid, o herói intergalático, de André Luiz Oliveira, no qual também aparece como ator, Walter Lima pautou sua vida no desejo de fazer cinema. E o fez, apesar de todas as dificuldades da expressão cinematográfica numa cidade como Salvador. Foi o primeiro a gravar em VHS um documentário de collage chamado Brasilianas. Seu registro sobre o músico Walter Smetak, O alquimista do som, é hoje um documento sobre o extraordinário instrumentista. Outro filme de Walter, uma ficção meio godardiana, Nós, por exemplo, tem Edgard Navarro como um dos intérpretes. E, recentemente, reconstituiu um longa que estava inacabado há vinte anos: O império do Belo Monte, com acréscimos atuais, mas conservando as tomadas do pretérito, que mudou de nome e foi apresentado como Antonio Conselheiro, o taumaturgo do sertão.O cinema de José Walter Pinto Lima é um cinema com fortes acentos de Glauber Rocha e Pier Paolo Pasolini, como pode ser observado em Antonio Conselheiro, o taumaturgo do sertão, obra poemática, cujo ritmo se estabelece mais pela retórica do que pela fabulação. Admirador de Jean-Luc Godard, a influência deste não se faz notar na obra citada, porque uma temática mais chegada aos arroubos glauberianos, que pedia um discurso cinematográfico mais retumbante em sua sintaxe, que acumula materiais de procedências diversas: animação, fotos, narração em off em alguns momentos, declamações poéticas etc.

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Sinopse
O Alquimista do Som foi filmado em Salvador, tem montagem de Roberto Miranda, narração de Rogério Duarte e som de José Umberto Dias e José Alberto Machado. É um documentário sobre a vida e a obra do músico e artistas plástico suíço Walter Smetak, que lecionou na Escola de Música da Universidade da Bahia, influenciando uma geração de músicos como Gilberto Gil, Rogério Duprat, Caetano Veloso, Gereba, Tom Zé, Tuzé de Abreu, grupo Uakti, entre outros. Smetak destacou-se pelo caráter vanguardista de sua obra. Propôs, dentre outras coisas, que a relação com a música fosse o mais orgânica possível e defendeu a democratização do acesso a arte, já que para ele todos tinham a capacidade de fazer sua própria música através da criação dos seus próprios instrumentos. Em 1968, já havia produzido cerca de 100 instrumentos experimentais de cordas, sopro e percussão, todos desenvolvidos na oficina de criação que montou no porão na Escola de Música da Ufba.